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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Mídia impressa, mídia eletrônica...

Internacional| 09/01/2013 | Copyleft

Mídias que morrem e o futuro da imprensa

No final de 2012, ocorreram dois fatos de extraordinária significação, ainda não analisados em profundidade, sobre o mundo dos meios de comunicação. Uma das mais famosas revistas estadunidenses, Newsweek, que estava a ponto de completar 80 anos, deixou de circular depois de perdas anuais estimadas em 30 milhões de dólares. O segundo foi a desaparição do The Daily menos de dois anos depois de seu lançamento como o primeiro grande jornal desenhado exclusivamente para iPad. Os dois fatos lançam novas dúvidas sobre o futuro da imprensa escrita. O artigo é de Eleazar Días Rangel.




Caracas - No final de 2012, ocorreram dois fatos de extraordinária significação, ainda não analisados em profundidade, sobre o mundo dos meios de comunicação. Uma das mais famosas revistas estadunidenses, Newsweek, que estava a ponto de completar 80 anos, deixou de circular depois de perdas anuais estimadas em 30 milhões de dólares, e uma queda na tiragem que nos anos 80 era de quatro milhões e chegou a 1,4 milhões há dois anos.

Esse fechamento é outra expressão da crise midiática nos EUA, onde em cinco anos 145 jornais diários fecharam e só 14 passaram a existir na internet. A Comissão Federal de Comunicação (FCC) revelou que 35 mil postos de trabalho deixaram de existir, 18 milhões de leitores abandonaram a imprensa e, entre 2005 e 2010, as perdas ultrapassaram a casa dos 23 bilhões de dólares.

Os editores da Newsweek começaram a buscar soluções quando perceberam a crise que se avizinhava, mudaram sua linha editorial para torná-la mais acessível ao chamado grande público, “com capas e conteúdos cada vez mais apelativos e superficiais”, o que afetou sua qualidade sem ganhar leitores. Agora, em janeiro, poderão ler Newsweek Global on line, mediante pagamento pelo serviço, com pessoal reduzido e sem colocar em risco a qualidade do jornalismo, asseguram seus editores.

“Alguns jornalistas e especialistas em mídias e comunicação são céticos quanto ao futuro dessa marca e de muitas outras empresas de comunicação, apanhadas em uma combinação letal de um modelo de negócios que não se sustenta e outro que não mostra ainda um caminho claro para a sobrevivência”, segundo resume uma investigação de Antonio Caño, correspondente do El País, em Washington.

O fim desta revista confirma a hipótese de um estudo de uma universidade dos EUA – creio que da Pensilvânia -, segundo a qual em um dia de outubro de 2040 circulará o último exemplar de um diário impresso neste país?

Crescem as informações sobre as sérias dificuldades da imprensa em um número cada vez maior de países, e não necessariamente vinculados à grave situação da economia europeia. Milhares de jornalistas ficaram desempregados, As crises do El País e do El Mundo, da Espanha, são um bom exemplo do que ocorreu em muitos outros meios de comunicação. No entanto, Walter Buffet, terceiro na lista dos multimilionários do mundo, com mais de 50 bilhões de dólares, está comprando publicações como se soubesse que algo bom está por acontecer, mas ninguém sabe a verdade dessas compras, se é que não são uma maneira de colocar dinheiro em um saco furado.

A outra morte
Vejamos o outro fato significativo. A notícia foi divulgada pela Agência EFE, desde Nova York: a desaparição do jornal The Daily “menos de dois anos depois de seu lançamento como o primeiro grande jornal desenhado exclusivamente para iPad coloca novas dúvidas sobre o futuro da imprensa escrita”.

O mesmo despacho explica que o fracasso dessa experiência “é simplesmente uma lembrança de que no mundo digital pós-impresso, o poder passou dos editores aos consumidores”. Segundo o editor chefe do portal especializado Mashable, Lance Ulanoff, os leitores de notícias na internet criam seus próprios jornais com base em leituras de diferentes diários em múltiplas plataformas, razão pela qual o pecado original deste periódico foi precisamente estar disponível somente para o iPad durante seu primeiro ano de vida, e mesmo tendo ampliado depois esse espectro, não teve audiência suficiente para converter-se em um negócio sustentável no longo prazo, reconheceu Rupert Murdoch, quando anunciou seu fechamento. The Daily alcançou 100 mil assinantes, mas precisava do dobro para estabilizar-se.

A nota da agência EFE conclui: “Seja qual for a razão da rápida desaparição do The Dialy, ela evidencia as dificuldades que enfrentam os meios de comunicação para encontrar novas vias para se tornarem rentáveis e complica o nascimento de outras iniciativas que busquem delinear o caminho para o qual deve se dirigir a imprensa escrita”.

No caso da Venezuela, Últimas Notícias conserva sua alta circulação e credibilidade, enquanto vários jornais da América Latina desapareceram (o último foi La Nación, do Chile), e a maioria viu sua circulação diminuir, como é o caso de El Tiempo, de Bogotá, e Clarín, de Buenos Aires, que passou de 400 mil exemplares em 2007 para menos de 300 mil em 2011, e sua edição dominical passou de 800 mil para 600 mil, segundo o Instituto de Verificação de Circulação (IVC).

Não obstante essa circunstância que o converte no jornal mais lido na Venezuela, os proprietários da Cadeia Capriles instalaram em suas novas edificações uma redação unificada com as três marcas, o portal, suas redes sociais, com as mais altsa tecnologias, que revelam como olham o futuro sem abandonar o presente dos meios impressos. O vice-presidente da cadeia, Ricardo Castellanos, diz que “foi colocado aos diretores e a toda a equipe de jornalistas desta redação única o enorme desafio da transformação para que em poucos anos ela seja uma empresa de multimeios e multiplataforma capaz de enfrentar com êxito e viabilidade econômica a mudança de paradigmas que hoje vive a indústria”.

Em última instância, serão os leitores e anunciantes os fatores fundamentais de seu crescimento e do futuro das mudanças que surgem no horizonte.

(*) Jornalista venezuelano. Atualmente dirige o jornal Últimas Notícias, da Venezuela, que possui a maior circulação nacional.

Tradução: Katarina Peixoto (do Boletim Carta Maior)

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A circulação, a liberdade de expressão... um caso a ser estudado

Saiu na FOLHA DE S. PAULO:


24 de outubro de 2012

‘JN’ dedica quase 20 minutos a balanço do julgamento

DE SÃO PAULO

O “Jornal Nacional” da TV Globo, programa jornalístico mais assistido da televisão brasileira, dedicou ontem 18 dos 32 minutos de sua edição a um balanço do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal.

O telejornal exibiu oito reportagens sobre o tema, contemplando desde o que chamou de “frases memoráveis” proferidas no plenário do STF às rusgas entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandovsky, respectivamente relator e revisor do processo na corte.

O segmento mais “quente” do telejornal, dedicado às notícias do dia (debate do tamanho das penas e a decisão de absolver réus de acusações em que houve empate no colegiado) consumiu 3min12s.

O restante foi ocupado pelo resumo das 40 sessões de julgamento.

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Há, ainda, um agravante. O assunto foi ao ar no JN imediatamente após o fim do horário eleitoral, que, em São Paulo, foi encerrado com o programa de Fernando Haddad. E tem sido assim desde que começou o segundo turno – o noticiário do mensalão é apresentado pelo telejornal sempre “colado” ao fim do horário eleitoral.

O objetivo de interferir no pleito do próximo domingo em prejuízo do Partido dos Trabalhadores e dos outros partidos aliados que figuram na Ação Penal 470, vem sendo escancarado. Ontem, porém, essa prática ilegal chegou ao ápice.

A ilegalidade é absolutamente clara. Para comprovar, basta a simples leitura da Lei 9.504/97, a chamada Lei Geral das Eleições, que, em seu artigo 45, caput, reza que:

Caput – A partir de 1o de julho, ano da eleição, é vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e noticiário, conforme incisos:

III – Veicular propaganda política, ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus orgãos ou representantes;

IV – Dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação;

V – É vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e noticiário, veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente (…)

Apesar de a Globo poder alegar que estava apenas reproduzindo um fato do Poder Judiciário, a intenção de usar as reiteradas menções dos ministros do Supremo Tribunal Federal ao Partido dos Trabalhadores é escancarada ao ponto de ter virado notícia de um jornal absolutamente insuspeito de ser partidário desse partido.

Conforme reza a lei, é vedada prática da qual o JN abusou, ou seja, fazer “Alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente”. Ora, de dissimulado não houve nada. O PT foi citado reiteradamente pela edição do JN de forma insistente e por espaço de tempo jamais visto em uma só reportagem.

A Lei Eleitoral recebe interpretação pela Justiça Eleitoral, ou seja, ela julga exatamente as nuances das propagandas, dos programas em veículos eletrônicos e até mesmo na imprensa escrita e na internet.

O uso de uma concessão pública de televisão com fins político-eleitorais também viola a Lei das Concessões, cujo guardião é o Ministério das Comunicações.

Diante desses fatos, comunico que a ONG Movimento dos Sem Mídia, da qual este blogueiro é presidente, apresentará, nos próximos dias, representações à Procuradoria Geral Eleitoral e ao Ministério das Comunicações contra a TV Globo por violação da Lei Eleitoral, com tentativa de influir em eleições de todo país.

Detalhe: será pedido ao Minicom a cassação da concessão da Rede Globo por cometer crime eleitoral

Por certo não haverá tempo suficiente de fazer a representação ser apreciada por essas instâncias antes do pleito, mas isso não elidirá a denunciação desse claro abuso de poder econômico com vistas influir no processo eleitoral. Peço, portanto, o apoio de tantos quantos entenderem que tal crime não pode ficar impune.

sábado, 5 de maio de 2012

Aquecimento Global, (novo) Código Florestal, Veta Dilma! Construção e desconstrução de fórmulas discursivas num jogo político

    Não é novidade pra ninguém que a aprovação ou veto do texto no novo Código Florestal para o Brasil está em pauta.
    Conforme o texto foi sendo aprovado pelas instâncias políticas responsáveis, a pressão da população através das mídias sociais e atos de manifestação foi aumentando no sentido de que o veto ocorra.

Página "Veta Dilma" no Facebook: com mais de 7,268 "likes", usuários trocam informações e se organizam com posição contrária à aprovação do dito novo Código Florestal brasileiro.
Ministro Rebelo é recebido com protesto contra Novo Código Florestal.

   Toda essa movimentação cristalizou(?) os dizeres "Veta Dilma!" tal qual um S.O.S. ambientalista. Mas o assunto aqui, na verdade, não é levantar questões sobre o que há de positivo e/ou negativo no texto do novo Código Florestal (que, ao ser enunciado desta maneira ad infinitum, já parece naturalizar a polêmica e emergir a ideia de que ele é, de fato, O NOVO Código Florestal, não é?), mas trazer à luz uma curiosidade repentina, nesta altura do campeonato (faltando somente a aprovação da última instância política nacional, da presidentA), que algumas emissoras de TV aberta nacional tiveram sobre o conceito (antigo?) de "Aquecimento Global" (outra fórmula?). 

Observem:


'O aquecimento global é uma mentira', é o que afirma o Climatologista Ricardo Augusto - Programa do Jô (Rede Globo)




Aquecimento global: houve exagero, diz doutor - Jornal da Band (Grupo Bandeirantes)



    Alguns dizeres (valores) estão sendo colados ao sintagma "Aquecimento Global": teoria, hipótese; quando, não há muito tempo, ele era uma "verdade incoveniente"... Saber que a linguagem não é transparente pode ser um trunfo quando se tem em mente para onde ela deva refletir e refratar. E pra onde seria?

terça-feira, 3 de abril de 2012

Por que importa tanto pensar SOBRE as mídias...?

Fonte: Blog do Emir

Cultura: propriedade comum ou mercadoria

No momento em que se avança no processo de privatização na que já foi um marco na TV pública brasileira – a TV Cultura de São Paulo – e ainda persiste um mandato no Minc que promoveu graves retrocessos na política de propriedade comum e convive de forma promíscua com o Ecad, vale a pena recordar que um dos mais importantes debates contemporâneos se deu justamente sobre a natureza da cultura: propriedade comum ou mercadoria.

Foi uma longa e tensa discussão no âmbito da Unesco, em que os Estados Unidos defendiam a inespecificidade da cultura, como uma mercadoria a mais, que deveria ser submetida às normas do livre comércio e estar no âmbito da Organização Mundial do Comércio. Não poderia haver visão mais mercantilizada da cultura, que aceleraria ainda mais o achatamento da diversidade cultural em beneficio dos modelos de consumo das potências centrais do capitalismo.

A posição - que finalmente triunfou - considera a especificidade da cultura como forma de definir as distintas identidades dos países, dos povos, das nações, que requer tratamento e proteção especifica. Por detrás do debate estava a contraposição entre a cultura como mercadoria e a cultura como patrimônio da humanidade, como propriedade comum. É a forma particular de refletir os grandes debates e dilemas contemporâneos entre esfera mercantil e esfera pública, entre neoliberalismo e pós-neoliberalismo, no plano da cultura.

Até o governo Lula predominou essa visão mercantil da cultura, de que um dos reflexos mais claros foi a Lei Rouanet de incentivo à cultura, em que o governo renuncia a seu papel de fomento da cultura e permite que empresas privadas deixem de pagar impostos para financiar atividades de propaganda das empresas, sem nenhum critério artístico. Ao invés de pagar seus impostos, as empresas privadas promovem sua imagem, em lugar do governo definir os critérios públicos de repartição de recursos.

O mandato do Gil e do Juca havia proposto reformulação da Lei de incentivo à cultura, que não avançou neste mandato, foi revista com os critérios que presidem esse mandato, de menor intervenção do poder público e de favorecimento dos mesmos mecanismos que presidem a lei ainda vigente.

A promiscuidade com o Ecad e a retirada do selo da propriedade comum vão na mesma direção, de ruptura com todos os avanços do mandato anterior, que fortaleceram o Minc no governo Lula e que projetaram uma imagem de governo dos mais avançados no mundo em termos de políticas culturais. A presença de um ministério fraco e sem apoio tem feito com que ressurjam teses de que os temas de propriedade e a própria Ancine deveriam estar subordinadas ao Ministério de Indústria e Comércio, formalizando os retrocessos sobre o caráter público da cultura.

É a mesma lógica de privatização da cultura que tem feito com que os tucanos destruam a melhor TV que o Brasil chegou a fazer, no auge da TV Cultura. Nas programações informativas, de debate politico, nas programações infantis, culturais – ela vai chegado a disputar audiência com a TV Globo em São Paulo. Os tucanos retiraram recursos e jogaram a TV Cultura na lógica de buscar recursos privados e, assim, ter que se submeter aos critérios das agências de publicidade e das empresas privadas, tirando paulatinamente o caráter diferenciado, público, da TV Cultura, até se chegar à desagregação de uma TV totalmente subordinada aos desígnios – e conflitos – internos do PSDB.

A luta pela eleição de um candidato alternativo em São Paulo, assim como por uma substituição no Minc que permita o resgate das políticas culturais de caráter público, é a mesma luta pela democratização da cultura e dos meios de comunicação no Brasil hoje.

Postado por Emir Sader às 09:48 [02/04/2012]