sexta-feira, 22 de abril de 2016

Notícias sobre as notícias

Repórteres Sem Fronteiras denuncia mídia brasileira por apoio ao golpe

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O mundo acordou de vez para o golpismo alucinado da imprensa brasileira. A ong Repórteres Sem Fronteiras, que faz um dos rankings mais respeitados do mundo sobre liberdade de expressão, rebaixou o Brasil mais cinco pontos, para 104, num conjunto de 180 países. Em 2010, o Brasil estava em 58º lugar.

Diferente do que ocorre em alguns países, porém, o rebaixamento não ocorre por repressão de governos a jornalismo crítico, e sim o contrário: pela adesão de empresas de comunicação a uma agenda política antidemocrática. A ONG denuncia, sem meias palavras, o apoio da mídia brasileira ao golpe como uma das razões para o rebaixamento da pontuação do Brasil no ranking de liberdade de expressão.

Vou traduzir apenas um trecho. Os internautas que quiserem traduzir a íntegra, divulguem aí nos comentários.

Trecho:
"(...) AO mesmo tempo, a propriedade dos meios de comunicação continua concentrada em mãos das famílias mais ricas, ligadas à classe política.
O problema dos "coroneis midiáticos", que a RSF descreveu em 2013 em seu relatório "O país dos 30 Berlusconis" continua intocável.
Os "coroneis" são usualmente proprietários de terras, industriais, que também são deputados ou governadores, e controlam a opinião pública em suas regiões através dos meios de comunicação. Como resultado, os meios de comunicação são fortemente dependentes dos centros de poder político e econômico.
A cobertura da mídia brasileira à crise política em curso acentuou esse problema. De maneira pouco velada, os principais meios de comunicação incitaram o público a ajudar na derrubada da presidenta Dilma Rousseff.
Os jornalistas que trabalham nestes grupos estão claramente sujeitos à influência de interesses privados e partidários, e este permanente conflito de interesses prejudicam fortemente a qualidade de suas reportagens."
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No site da ONG Repórteres Sem Fronteiras.

April 20, 2016

Brazil falls in Press Freedom Index, now 104th

Continuing conflicts of interest in the Brazilian media and a very disturbing level of violence against journalists have caused Brazil to fall another five places in the 2016 World Press Freedom Index, published today by Reporters Without Borders (RSF).

Brazil is now ranked 104th out of 180 countries, a position clearly unworthy of a country meant to be a regional model. It was ranked 58th in 2010.

Why has this happened? The most important reason is increasing violence against journalists and a lack of political will at the highest level to protect journalists effectively. As well as the fall in the rankings, Brazil’s performance indicator, which measures the level of media freedom violations, rose from 25.78 in 2014 to 31.93 in 2015 – a significant deterioration.
The Latin American giant nonetheless remains ahead of some of its regional neighbours such as Ecuador (109th), Guatemala (121st), Colombia (134th), Venezuela (139th), Mexico (149th) and Cuba (174th).
In Brazil, an economic recession and political instability have reinforced the main obstacles to media freedom and the climate of hostility towards journalists. At the same time, media ownership continues to be concentrated in the hands of leading industrial families linked to the political class.
The problem of Brazil’s “colonels,” which RSF described in 2013 in its report, “The country of 30 Berlusconis,” has continued unabated. The so-called “colonels’ are usually major landowners or industrialists who are also legislators or state governors and who control opinion-making in their regions because, directly or indirectly, they own several local media outlets. As a result, the media are heavily dependent on the centres of economic and political power.

Brazilian media coverage of the country’s current political crisis has highlighted the problem. In a barely veiled manner, the leading national media have urged the public to help bring down President Dilma Rousseff. The journalists working for these media groups are clearly subject to the influence of private and partisan interests, and these permanent conflicts of interests are clearly very detrimental to the quality of their reporting.

Brazil’s fall in the Index is also the result of the lack of a national mechanism for protecting journalists in danger and for combatting the prevailing impunity for crimes of violence against journalists, which is facilitated by the ubiquitous corruption.

With seven journalists murdered in 2015 alone, Brazil continues to be the western hemisphere’s third deadliest country for media personnel, after Mexico and Honduras. All of them were investigating sensitive subjects such as corruption and organized crime.
 
Organized crime’s firm hold on certain regions far from any major city makes covering these subjects particular complicated there, while the failure to punish most murders of journalists encourages their recurrence.

Finally, there has been no let-up in the growing problem of military police violence against journalists during street demonstrations, a problem that began in 2013. Both Brazilian and foreign journalists covering demonstrations are often insulted, threatened or arbitrarily detained. They are also often directly targeted by demonstrators, who identify them with the owners of the media they work for.
Published annually by RSF since 2002, the World Press Freedom Index measures the level of freedom available to journalists in 180 countries using the following criteria – pluralism, media independence, media environment and self-censorship, legislative environment, transparency, infrastructure, and abuses.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

O golpe que já vinha sendo dado antes do golpe que se deu

Criada a escassez, teles vão cobrar pela abundância na internet

Luís Osvaldo Grossmann ... 20/04/2016 ... Convergência Digital 
 
 
As grandes operadoras de telecomunicações, que no Brasil respondem por quase 90% das conexões à internet, parecem ter colocado governo onde queriam: virá como aparente pressão do Ministério das Comunicações a capitulação das empresas sobre as ofertas de banda larga fixa. Um acordo nesse sentido já começou a ser costurado e deve ser apresentado na próxima semana.

“Já iniciamos o diálogo com uma das operadoras e na semana que vem vamos trazer todas para tratarmos da continuidade dos planos ‘ilimitados’, quando esperamos que todas as operadoras firmem um compromisso público, um documento que já estamos preparando”, afirmou nesta quarta, 20/4, o ministro André Figueiredo. 

Os termos desse “compromisso público” serão, portanto, no sentido de “exigir” que as empresas ofereçam planos sem limite de franquia, ainda que mantenham paralelamente as ofertas com esse limite. Além disso, também será colocada a promessa de que não haverá alteração nos contratos vigentes. Parece uma vitória dos consumidores contra o que veem como abusos das teles. 

Só parece. Os termos que o ministério está preparando foram sugeridos pela Vivo, justamente a operadora com quem foi iniciado o diálogo. Do ponto de vista da precificação das ofertas, a criação de um serviço ‘premium’ atende o que as empresas sempre defenderam na internet, a criação de segmentações. Se esse ‘premium’ é quase compulsório, o prêmio pode ser ainda maior. 

O próprio André Figueiredo, ao divulgar a costura com as teles, adianta que a espera que as empresas não aumentem muito os preços. Na véspera, o presidente da Anatel, João Rezende, já dissera que obrigar as operadoras a venderem planos ‘ilimitados’ teria como resultado esperado aumento de preços e reduções de velocidade. 

Escassez

As empresas defendem o uso de franquias pois elas atacam o consumo ‘excessivo’ de dados por parte dos internautas, que acabariam provocando congestionamentos na internet. Ao impor limites de download, elas estariam protegendo a maioria. “Algum tipo de equilíbrio há de se ter porque senão teremos o consumidor que consome menos pagando por aqueles que estão consumindo mais”, concorda o presidente João Rezende. 

Acontece que se trata de uma criação artificial de escassez, especialmente na internet fixa. Nos EUA, onde o debate sobre os ‘data caps’ começou anos antes do Brasil, estudos (como esse ou esse) apontaram essa artificialidade, ao ponto de o presidente da associação nacional das teles americanas (NCTA), Michael Powell, vir a público para admitir que o problema não eram os congestionamentos: “Nosso principal propósito é como justamente monetizar altos custos fixos”, disse.

Talvez a maior evidência nesse sentido seja que as franquias são adotadas independentemente do horário dos acessos. Ou seja, se fosse efetivamente um problema de congestionamento, com ‘heavy users’ prejudicando o tráfego dos demais, o incentivo deveria promover o uso fora do horário de pico, mas isso não acontece.

O uso de franquias, portanto, além de poder criar aquele mercado ‘premium’, também abre outras frentes de “monetização” – os acordos para que certos conteúdos não consumam o limite de dados imposto. Acordos com bancos e redes sociais, como Facebook ou WhatsApp, já existem na internet móvel, onde o sistema de franquia é ainda mais arraigado.